HIPERFANTASIA
A arte de idealizar
Quem nunca se distraiu na sala de aula não é mesmo? Mas e quando você REALMENTE se distrai e seu corpo descola da cadeira? se você é a pessoa que “descola” você tem chances de ter hiperfantasia.
Quando a professora me dava bronca por conversar demais e na tentativa de evitar distrações alterava o mapa e me deixava longe das minhas fofoqueiras para que focasse na aula, pasmem havia outro meio de distração! a tal da fantasia, eu abaixava a cabeça ou olhava para o nada (e pensava em tudo, literalmente), onde meu cérebro ia para longe com riqueza de detalhes, enredo e dopamina. Eu pensava “coitada, ela acha que irei prestar atenção” mas enquanto ela achava que sim, eu estava era bem ocupada.
Tive fortes estímulos com séries e filmes de Tv na infância e no decorrer dela, histórias e faz de conta me fascinavam e eu nunca parei para pensar sobre, mas cresci dessa forma e a partir de certa idade minha atenção se voltou para outras coisas. A pré-adolescência é uma fase diferente, e essa fase me afastou daquele mundinho, busquei outros estímulos e atividades até que a fase do caralho chegou, os fatídicos 14 anos onde você posta imbecilidades nos status do whatsapp e pede a Deus para voltar para a casa depois das 00h.
Quando tudo passou e eu tive um puto de consciência e amadureci de vez, percebi a falta dos estímulos que tanto amo e que formaram meu cérebro, eles serviam de combustível para minha mente fértil. Esses estímulos tiveram fases e fases, a famigerada discovery kids, as queridinhas Disney e Nickelodeon para enfim chegarmos nas séries conforto dos anos 00’, até mesmo filmes mais cabeças chegaram até mim moldando e criando um mundo paralelo contribuindo demais para todo esse universo que vivia na minha mente.
Certa fase pós pandemia me afetou, com péssimos acontecimentos rolando na minha vida eu criava uma atmosfera de extremo conforto para recuperar as minhas energias gastadas nas difíceis situações da vida kakaakak
Acho que vocês sabem como é o tumulto da vida de uma garota de 15 anos buscando aceitação no meio “adolescente”, festas, rolês insalubres.. deixei tudo isso para trás quando tive clareza de que minha alta imaginação era parte de tudo o que eu realmente precisava. E a pandemia de certa forma me impulsionou a pensar assim, até o jogo virar e a via láctea que morava a baixo do meu cabelo se tornar meu refúgio, onde eu queria estar todo dia após o horário da saída.
O “consumir” séries e mais séries, filmes, histórias foi me enchendo de conteúdo e informação. Eu aconselhava minhas amigas quando estavam sofrendo pelo boy “só liga a tv e aproveita a gaia, coloca filmes de romance e coloca tudo para fora”, e até que ajudava, eu inclusive fazia isso sempre quando o assunto era desilusão amorosa, e enquanto eu estava com um enredo adolescente se destrinchando bem na minha frente eu estava em paz, porque eu burlava minha mente para estar dentro do conteúdo, eu burlava minha mente para fingir que eu estava vivendo a história que eu estava assistindo.
Não era: “estou assistindo a história da vida de tal personagem”
Era: “estou vivendo a vida de tal personagem”
Sentiu a coringada daí? porque eu coringo até hoje. Não vou dizer que essa doidera não me ajudou a superar algumas etapas da vida com mais facilidade, porque me ajudaram. Mas em compensação me deixaram uma puta fobia social. Hiperfantasia não é você ser viciado em dramas a ponto de se tornar um caso sério kkkkk
Hiperfantasia é a condição de ter imagens mentais extremamente vívidas.[1] É a condição oposta à afantasia, onde as imagens mentais visuais não estão presentes.[2] A experiência de hiperfantasia é mais comum do que a afantasia,[3][4] e foi descrita como "tão vívida quanto a visão real".[3]
Hiperfantasia é você poder imaginar coisas do completo zero, com uma puta riqueza de detalhes. Fazendo terapia eu descobri isso, e descobri também que eu confundo ficção com a realidade, e atrelo as questões da minha vida. Por esses e mais motivos a escolha do meu curso na faculdade foi cinema, gosto e quero criar as mesmas sensações que eu sentia quando assistia um novo filme ou saga, quero criar a confusão na pessoa que assiste, da mesma forma que se formava uma na minha cabeça quando assistia, quero trazer sensações á tona com o poder da comunicação do audiovisual.
Minha terapeuta me indicou fugir dos meus filmes confortos, e consumir filmes para eu debater em sala ou analisar pontos chaves do cinema, eu tento mas é difícil me desvincular do que eu realmente me interesso, é foda porque eu me ponho em uma caixinha e não posso. Vocês não sabem como é chato todos começarem um papo de um filme cinéfilo e eu só ter 10 things i hate about you no meu currículo de análise rs (não me levem a mal esse filme é muito bom).
Fora a obsessão por confortos tem o fanficar antes de dormir que já é o puro suco da roteirista com hiperfantasia.
Funfats: Uma amiga minha leu meu mapa astral e concluiu que tenho que focar mais na escrita e que por algum motivo (com certeza alguma coisa do meu céu em virgem) (??) tenho que juntar meu temperamento que aliás é melancólico mesmo que talvez nao pareça com essa minha (disfunção?) para a escrita e roteiros da faculdade, ele disse que meu mapa explica muita coisa kkkkkk
A mente fértil tem seus prós e contras, eu amo poder flutuar nessa imensidão de possibilidades, e você é doidinho das ideias? acha que também tem hiperfantasia? comenta aqui vamos fofocar sobre :)
Obrigada por ler até aqui, pouco a pouco vamos crescendo juntas!
Seja tudo!, menos comum ☆







fantasiar antes de dormir deve ser a oitava maravilha do mundo, o ruim é que às vezes eu acabo fazendo isso fora da camaKKKKKKKKKKK
🤌🏻✨ conteúdo de qualidade